Vasectomia

A vasectomia é um método permanente de contracepção. Mesmo sendo um método cirúrgico mais barato, menos invasivo e com menores taxas de complicação que a ligadura tubária (de trompas) nas mulheres, sua taxa de realização é bem menor do que o método de ligadura feminino.

A chance de recanalização espontânea é muito rara. Entretanto, o procedimento pode ser revertido cirurgicamente, com um microscópio cirúrgico com alto índice de sucesso em mãos treinadas para este fim. Leia sobre reversão de vasectomia em https://www.alessandrorossol.com.br/blog/reversao-de-vasectomia/

Muitos pacientes temem ser submetidos à vasectomia pelo medo de disfunção erétil, perda de orgasmo ou ejaculação, ou mesmo desenvolvimento de câncer da próstata. A vasectomia não melhora nem piora a performance sexual do indivíduo. A ejaculação também não sofre nenhuma modificação uma vez que menos de 10% do ejaculado provém dos testículos. Isto é, 90% do volume do ejaculado é proveniente das vesículas seminais e da próstata, não havendo então diminuição deste volume. Muitos estudos já foram realizados com o intuito de identificar uma possível relação entre a cirurgia e o tumor de próstata, mas esta associação nunca foi detectada.


A TÉCNICA

A vasectomia é um procedimento ambulatorial – o paciente não fica hospitalizado; ele será liberado uma ou duas horas após o procedimento, após avaliação médica, se estiver em condições ideais.

vasectomia

Usualmente a anestesia é local, com injeção de alguns mililitros de lidocaína sem vasoconstrictor. Pacientes com sensibilidade álgica aumentada ou aqueles muito ansiosos poderão ser sedados por médico anestesiologista durante o procedimento.

Após a anestesia, são realizadas duas pequenas incisões (uma de cada lado do escroto) de aproximadamente 5mm. O canal deferente (que é o ducto por onde passam os espermatozóides) é localizado e dissecado. Um segmento deste ducto é seccionado.

Segmentos de canais deferentes extraídos na vasectomia (um de cada lado)

Os dois cotos são cauterizados e ligados. Mesmo sendo ligados, as bordas de cada um deles são invertidas para garantir uma maior acurácia do método contraceptivo. Em seguida é realizada uma revisão hemostática (cauterização de peguenos sangramentos) e a pele do escroto é suturada com fio absorvível (um a dois pontos).

PREPARATIVOS E CUIDADOS

O paciente é orientado a realizar retirada dos pêlos do escroto duas horas antes do procedimento. Em seguida deverá tomar uma ducha e lavar a região do pênis e escroto com sabão neutro. Após o banho, secar bem e vestir uma cueca apertada. Ela ajudará a fixar o curativo após a vasectomia. O procedimento deve ser realizado em ambiente morno. Isso ajudará a relaxar o escroto e facilitar o ato cirúrgico.

O tempo cirúrgico médio de uma vasectomia bilateral é de aproximadamente 20 minutos. Após o procedimento ser concluído, o cirurgião urologista realiza um curativo compressivo local no escroto e passa todas as orientações ao paciente sobre cuidados, pomada, curativos, tempo de repouso, medicamentos e retorno à atividade sexual.

Aspecto da cicatriz da incisão uma semana após a vasectomia.

Uma dúvida que muitos pacientes têm é se a vasectomia altera a sua função sexual. Leia sobre isso aqui: https://www.alessandrorossol.com.br/blog/vasectomia-pode-causar-disfuncao-eretil/

*** Leia também sobre a técnica de vasectomia sem bisturi em https://www.alessandrorossol.com.br/blog/vasectomia-sem-bisturi/

**** O Dr. Alessandro Rossol realiza vasectomia pelo convênio Unimed.

Fonte Bibliográfica:

Wein: Campbell-Walsh Urology, 9th ed. Copyright © 2007

Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina

Fotografias: Arquivo pessoal – Dr. Alessandro Rossol

Wein: Campbell-Walsh Urology, 9th ed. Copyright © 2007

Sobre o autor

Dr. Rossol

Existem 4 comentários até agora. Comentar.

  1. 26 de julho de 2017 | Manu diz: Responder
    Eu estou gravida estou quase ganhado meu marido fez vasectomia a 2 anos e eu só tive ele como homem são 11 anos juntos ele fez o espermograma só q deu negativo como isso e possível estou desesperada pois ele acha q eu trai ele
    • 27 de julho de 2017 | Alessandro Rossol diz: Responder
      A questão que se coloca em discussão aqui é a possibilidade de seu marido ainda estar fértil, mesmo tendo sido submetido à vasectomia. Isso pode acontecer sim. Depois de realizar a vasectomia, pode ocorrer recanalização espontânea de um canal deferente e haver passagem de espermatozóides do testículo para o esperma eliminado na ejaculação. A chance da recanalização ocorrer é de aproximadamente uma em cada duas mil vasectomias. Sempre que um paciente realiza vasectomia, é indicado a realização de um espermograma 40 dias após o procedimento ou após 10 ejaculações para termos certeza da azoospermia (ausência de espermatozóides no ejaculado). Somente depois deste exame "zerado", o paciente vasectomizado é considerado infértil.
  2. 14 de outubro de 2016 | Marcelo de camargo diz: Responder
    Dotor vc faz reversão de vasectomia fiz a quatro anos agora quero reverter
    • 1 de novembro de 2016 | Alessandro Rossol diz: Responder
      As chances de sucesso da reversão neste caso, quatro anos após a vasectomia, são grandes. Em torno de 85-90% da presença de espermatozóides no ejaculado um ano após a reversão. Claro que a gestação também depende de fatores da mãe e do casal. É imperativo o exame físico do paciente vasectomizado, anamnese e avaliação laboratorial antes da cirurgia. Considero importante o casal vir à consulta juntos para receberem todas as informações referentes à reversão de vasectomia.

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