Ultrassom Peniano com Doppler: o melhor exame não invasivo para avaliar a ereção.

A Disfunção erétil (DE) é definida como a incapacidade de iniciar ou se manter uma ereção adequada para uma atividade sexual satisfatória, podendo ser de origem psicogênica ou orgânica. As causas orgânicas de disfimção erétil (endócrina, neurológica, farmacológica e vascular) representam de 50 a 90% das ocorrências. As doenças vasculares secundárias à insuficiência arterial ou venosa são as causas mais comuns de disfunção erétil orgânica. Em um paciente com disfunção orgânica sem alteração endócrina ou neurológica deve-se pensar em insuficiência vascular.

A arteriografia e a cavernosografia/cavernosometria são exames considerados como padrão ouro na avaliação da função hemodinâmica do pênis. Entretanto os procedimentos referidos são invasivos e só deverão ser realizados naqueles casos, onde se faz necessária a intervenção terapêutica (embolização) ou cirúrgica. A ultra-sonografia com Doppler colorido associada a uso de agentes farmacológicos, que
induzem a ereção, é o melhor método não-invasivo para se avaliar a dinâmica vascular no fenômeno de ereção.

Provocando uma Ereção

A injeção intracavernosa de substância vasoativa é feita na porção lateral da face dorsal do pênis, evitando-se a uretra e o corpo esponjoso. São usadas seringas de 10 ml com agulha 25 x 5 Gauge. A papaverina, a fentolamina e a prostaglandina são substâncias classicamente utilizadas como indutoras
da ereção, sozinhas ou associadas entre si. Dentre as opções disponíveis no mercado, a prostaglandina é a melhor delas pela sua rápida ação e baixo risco de complicação. A papaverina é usada na dose de 60 mg diluída em 2 ml, porém esta possui a desvantagem de apresentar altos índices de priapismo após o término do exame.

A possibilidade de ocorrência do priapismo deverá ser claramente discutida com o paciente e este deverá ser orientado a procurar um urologista ou um serviço de pronto atendimento caso haja ereção prolongada por mais de 3 horas consecutivas. O priapismo tem baixa incidência e quanto mais rápido se fizer o tratamento, menor será a possibilidade de ocorrer seqüelas.

Etapas do exame do Doppler peniano
Após a injeção do agente vasodilatador dever-se-á tomar a medida da velocidade da artéria cavernosa em intervalos de tempo de cinco minutos até se completar 20 minutos . Em cada um destes intervalos deve-se também procurar avaliar clinicamente o grau de tumescência e rigidez, onde se entende por tumescência o quanto houve de aumento volumétrico e por rigidez o grau de ereção satisfatória para penetração.
Oates e colaboradores propuseram uma classificação subjetiva
que varia de O a 3.
• O: Sem tumescência.
• 1: Tumescência insuficiente para penetração.
• 2: Tumescência suficiente para penetração, porém sem
rigidez plena.
• 3: Ereção rígida e tumescência máxima.

Insuficiência erétil arteriogênica
A insuficiência arteriogênica sozinha ou associada à insuficiência venogênica representa a principal causa de disfunção erétil. O critério diagnóstico mais importante para a disfunção arterial é a velocidade de pico sistólico nas artérias cavernosas. O valor normal de pico de velocidade sistólica após a fármaco-indução acima de 25 cm/s. Há uma grande variedade de medidas de pico sistólico normal. Existe uma concordância generalizada entre muitos autores que usam o pico de velocidade sistólica abaixo de 25 cm/s como critério de insuficiência
arteriogênica (Fig. 7-7). Valores de pico sistólico entre
25 e 30 cm/s poderão ser utilizados como valor limítrofe,
podendo assim corresponder à insuficiência arterial leve ou
moderada. Pacientes com valores de pico sistólico acima de
30 cm/s são considerados normais.

Sobre o autor

Alessandro Rossol

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