Avaliação das Ondas de Choque no Tratamento de Pacientes com Doença de Peyronie

 

A Doença de Peyronie é uma moléstia que provoca trauma psicossocial ao paciente. Várias opções de tratamento estão disponíveis na literatura variando de médicos, terapias de injeção intra-lesional e opções cirúrgicas. Terapia de Ondas de Choque Extra-corpórea (ESWT) apresenta-se como uma nova modalidade não invasiva de tratamento.

Objetivos

Para determinar o papel das ondas de choque no tratamento da doença de Peyronie, avaliamos, por critérios objetivos:  a melhoria no IIEF (Índice Internacional de Função Erétil), média VAS (Visual Analogue Scale), a mudança no fluxo da artéria cavernosa peniana com Doppler colorido, e a melhora no grau de curvatura peniana após a terapia.

ondas probe peyronie

Métodos

A população selecionada para a pesquisa incluiu 30 homens na faixa etária de 25-65 anos, com doença de Peyronie, tratados entre fevereiro 2013 a dezembro de 2014. Estes homens eram não respondedores à linha conservadora de outros tratamentos e que estavam seguindo acompanhamento médico regularmente. Os dados foram coletados com base em entrevista na forma de história, Índice Internacional de Função Erétil (IIEF) e Visual Analogue Score (VAS) pré e pós-terapia. Exame clínico e ecografia peniana com Doppler colorido foram feitos para avaliar os parâmetros pré e pós-terapia. As ondas de choque de baixa intensidade foram aplicadas em 3 sessões de 300 ondas na placa peniana(total de 900): 300 ondas de choque proximal, 300 na placa e 300 ondas distal à placa. Os resultados foram avaliados na antes e 18-24 semanas após a terapia.

Resultados

Ondas de choque melhoram a função erétil, melhoram todos os quesitos do IIEF (p <0,0001). Melhoram significativamente a velocidade de fluxo sanguíneo da artéria distalmente à placa cavernosa pós (p <0,05), reduzem a dor da placa de Peyronie (p <0,0001). Reduzem o tamanho da placa (P <0,0001) e reduzem o grau de curvatura do pênis em ereção (p <0,05).

Conclusão

ESWT melhoram significativamente a hemodinâmica do pênis nos pacientes do Doença de Peyronie, apoiando assim a teoria da angiogênese. ESWT melhora todos os quesitos do IIEF, incluindo a função erétil, desejo sexual, satisfação sexual, orgasmo e satisfação geral. A melhoria da dor nas ereções é significativa. Houve melhoria significativa no tamanho e na curvatura da placa. Não houve efeitos adversos registrados nestes pacientes que receberam as ondas de choque ESWT, significando, assim, que se trata de uma modalidade segura no tratamento de pacientes com Doença de Peyronie.

FONTE BIBLIOGRÁFICA

Sobre o autor

Alessandro Rossol

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  1. 25 de fevereiro de 2020 | jacinto lancos lancos diz: Responder
    Ha já 10 anos , porque tinha a doença de Peyroni e a placa a retirar era grando torcendo muito o penis , com muita dor, e com curvatura impeditiva de penetração. Efectuada a operação pelo especialista, resultou; Diminuação demasiada do penis, a ponto de não conseguir penetração quando muito excitado havia erecção, mas se tentasse penetrar o penis dobrava a meio ficando sem força para penetrar, Foi verificado de os vasos cavernosos enchiam de sangue, estando o processo normal. Pergunto se esta situação é irreversível com ondas de choque ou, senão, como? Fico a aguardar o favor da vossa resposta. Já fui operado à próstata.
    • 15 de março de 2020 | Alessandro Rossol diz: Responder
      Conforme o relato, parece que neste caso o paciente apresentava uma forma grave de doença de Peyronie com evolução e desfecho desfavoráveis. A conduta agora é realizar uma avaliação ecográfica do pênis com teste fármaco-induzido. Avaliação da ereção, da estabilidade e do formato do pênis. Se a disfunção erétil for de grau leve ou moderado, as aplicações de ondas de choque poderão, sim, ajudar. Entretanto se a função erétil estiver bastante comprometida, o paciente poderá ter que usar injeção intra-cavernosa de medicações vasoativas ou implante de prótese peniana.
  2. 3 de abril de 2018 | Claudemir Seisdedos diz: Responder
    Procurei vários médicos em minha cidade e cidades próximas; inclusive dois professores da Unesp Botucatu e ouvi o mesmo de todos: não há cura; existe correção cirúrgica caso a curvatura seja um impeditivo as funções. Na doença instalada existe perda de diâmetro e comprimento e a cirurgia para correção de curvatura ainda faz perder mais podendo até haver após ela uma disfunção erétil. Será que todos me enganaram... será que esses procedimentos são somente para casos em que nada mais pode ser feito... Frase que ouço sempre depois de dois nódulos: um depois de 15 anos depois do outro: fique feliz por não ter curvatura acentuada pois aí uma cirurgia poderia te trazer esses problemas que já citei...
  3. 3 de dezembro de 2017 | Márcio diz: Responder
    O tratamento com ondas de choque é eficaz para paciente que não sente dores no local da placa?
    • 15 de março de 2020 | Alessandro Rossol diz: Responder
      Este tratamento é bastante útil para pacientes com dor peniana e para aqueles que têm déficit de ereção. Não é um bom tratamento para correção da tortuosidade peniana. Para correção da tortuosidade, recomenda-se aplicação intra-lesional de xiaflex ou verapamil e também uma avaliação individual para cirurgia.
  4. 3 de dezembro de 2017 | João Pedro diz: Responder
    Olá Dr. Alessandro. Vejo que o senhor faz o tratamento de ondas de choque na sua clínica. Sei que se mostra eficiente para disfunções de causas vasculares e para o tratamento da dor na fase aguda de Peyronie. Entretanto, vejo alguns médicos que dizem ser possível o tratamento da Peyronie na fase crônica da doença, com a redução das placas de fibrose, e até mesmo desaparecimento. Creio que isso se dê devido a maquinas e protocolos diferentes. Então, gostaria de saber da sua experiência clínica, se já observou o tratamento de Peyronie na fase crônica. E também gostaria de saber se além de melhorar a vascularização, melhora também a inervação do pênis. Obrigado, um abraço.
    • 27 de abril de 2020 | Alessandro Rossol diz: Responder
      Sim. As ondas podem ser aplicadas em fases mais tardias, mas o índice de sucesso é menor. Quanto mais cedo for realizado o tratamento, melhor. Porque a interferência da onda no tecido peniano bloqueia e diminui a progressão da fibrose na área da placa. Em fases tardias, o que se observa é que a onda não interfere na tortuosidade, mas ajuda na sensibilidade e também na melhora da ereção. Existem dois tipos de onda de choque de baixa intensidade: focal e radial. Para tratar Peyronie a onda indicada é a focal.
  5. 12 de fevereiro de 2017 | Bene diz: Responder
    Resolve para casos antigos também, aproximadamente 4 anos? Qual o contato?
  6. 22 de novembro de 2016 | elvis diz: Responder
    Olá Dr, tenho 24 anos e fiz a cirurgia para correção da curvatura peniana congenita em Março, eu tinha a curvatura ventral e era bastante acentuada. Resolveu o problema da curvatura, porém desde a cirurgia até hoje eu sinto dores durante a ereçao. Nao é uma dor muito forte, mas incomoda. Creio que meu medico utilizou a técnica de Nesbitt e eu ainda consigo sentir o nó que fez no corpo do penis e a dor é nessa regiao. O que devo fazer? Será que preciso de outra cirurgia?! Outra coisa que percebi é que ele parece estar "entortando" pra cima, será possivel que eu tenha adquirido a doença de Peyronie?
    • 15 de março de 2020 | Alessandro Rossol diz: Responder
      Neste caso parece que a cirurgia obteve êxito para a correção da tortuosidade. Dor no local da sutura interna (local das plicaturas) é frequente e pode acontecer nesta cirurgia, mas usualmente melhora ao longo dos meses após o procedimento. As ondas de choque são um bom tratamento, com boa eficácia, para melhora e resolução da dor em pós-operatório de correção de tortuosidade peniana e cirurgia de doença de Peyronie.
  7. 31 de outubro de 2016 | Milton diz: Responder
    como faço para utilizar as ondas de choque na minha doença de peyronie?
    • 1 de novembro de 2016 | Alessandro Rossol diz: Responder
      As ondas de choque para tratamento da doença de Peyronie devem ser do tipo focal e de baixa intensidade. Os protocolos de tratamento são aproximadamente uma sessão de aplicação de ondas de choque por semana durante 5-7 semanas. Em cada aplicação são disparados 3000 pulsos na região da placa e ao redor da mesma. Cada sesssão dura aproximadamente 25 minutos. Os disparos não causam sensação de choque elétrico nem dor. Após o procedimento o paciente pode exercer suas atividades habituais.

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