Terapia de Tração para Doença de Peyronie

Um estudo recente do Journal of Sexual Medicine mostrou alguns resultados encorajadores com o tratamento de tração peniana para doença de Peyronie.

Doença de Peyronie – algumas noções básicas

Nos homens com a doença de Peyronie, áreas de tecido cicatricial endurecido  (placas) se formam abaixo da superfície da pele. Essas placas fazem com que o pênis perca parte de sua flexibilidade e dobre.

A doença de Peyronie ocorre em dois estágios. Na fase aguda (os primeiros 6 a 18 meses), formam-se as placas e as curvas do pênis. Muitos homens experimentam dor, disfunção erétil (DE) e encurtamento peniano. O intercurso pode se tornar difícil.

Na fase crônica, a doença se torna mais estável. Normalmente, a curva não piora, mas os homens ainda podem ter problemas com disfunção erétil e piora na relação sexual.

Sofrimento emocional significativo também pode ocorrer durante todos estágios.

O tratamento para a doença de Peyronie depende da sua gravidade. Para alguns homens, a situação se resolve sozinha ou a tortuosidade não é incômoda. Para outros, a curva é tão severa que eles não podem ter relação alguma. Esses homens podem considerar o tratamento cirúrgico quando a doença atinge o estágio crônico.

O que é terapia de tração?

Extensor modelo

Homens que fazem terapia de tração para a doença de Peyronie usam um dispositivo médico projetado especificamente para puxar o pênis suavemente na direção oposta da curva.

Um estudo recente realizado por pesquisadores espanhóis descobriu que esta técnica teve bons resultados para os homens na fase aguda da doença de Peyronie.

Cinqüenta e cinco pacientes (idade média de 50 anos) foram submetidos à terapia de tração usando o dispositivo Andropeyronie, uma marca comumente usada. Um grupo controle de 41 pacientes (média de idade 48) não teve intervenção. Todos os homens tinham a doença de Peyronie em estado agudo.

Os homens que receberam terapia de tração foram instruídos a usar o dispositivo por pelo menos seis horas por dia, mas não mais do que nove horas. Os pacientes também foram orientados a remover o dispositivo por pelo menos 30 minutos a cada duas horas para evitar a isquemia da glande. Este grupo também teve ultra-sonografia peniana para avaliar o status de suas placas.

Extensor 2

Após seis meses de tratamento, os homens do grupo de terapia de tração tiveram várias melhorias:

· A curvatura média do pênis na ereção foi reduzida de 33 graus na linha de base para 15 graus.

· O comprimento médio do pênis aumentou de 12,4 centímetros no início para 13,7 centímetros.

· Os homens relataram menos dor e melhoraram a função erétil e a dureza.

· Mais homens conseguiram realizar penetracao.

· Placas sonográficas desapareceram em 48% dos pacientes.

· A necessidade de cirurgia foi reduzida em 40% dos pacientes. Entre os homens que precisaram de cirurgia, cerca de um terço foi capaz de realizar procedimentos mais simples.

· Esses resultados foram mantidos em 9 meses de acompanhamento.

Em contraste, os homens que não receberam nenhuma intervenção não se saíram tão bem:

· Após seis meses, seu grau médio de curvatura aumentou de 29 graus na linha de base para 51 graus após seis meses.

· O comprimento médio do pênis diminuiu de 14,5 centímetros no início para 12,1 centímetros.

· Eles relataram mais dor e piora da função erétil e rigidez.

· Menos homens conseguiram realizar penetracao.

· Após nove meses, não houve melhorias significativas.

A adesão ao tratamento foi um fator importante para o grupo de terapia de tração. Os homens usaram o dispositivo por um período médio de 4,6 horas por dia. No entanto, aqueles que usaram por mais de seis horas por dia geralmente tiveram melhores resultados.

No geral, os pesquisadores concluíram que a terapia de tração peniana “parece um tratamento eficaz” para os homens na fase aguda da doença de Peyronie, à medida que a dor, a curvatura e a função sexual melhoraram em seu grupo de estudo.

A terapia de tração peniana é adequada para os seus pacientes? Pode ser, especialmente se eles estão motivados a usar o dispositivo pelo tempo recomendado. No entanto, apenas um urologista pode responder a essa pergunta com certeza. Os médicos são encorajados a encaminhar seus pacientes com a doença de Peyronie para os especialistas apropriados.

 

FONTE BIBLIOGRÁFICA:

The Journal of Sexual Medicine

Martínez-Salamanca, Juan I., MD, PhD, et al.

“Acute Phase Peyronie’s Disease Management with Traction Device: A Nonrandomized Prospective Controlled Trial with Ultrasound Correlation”
(Full-text. First published online: November 22, 2013)

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jsm.12400/full

Sobre o autor

Alessandro Rossol

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