Sociedade Americana de Urologia publica recomendações para reposição hormonal com testosterona.

Um grupo de experts na área de andrologia publicou a nova diretriz da AUA (American urological Association) sobre Avaliação e Gerenciamento de Deficiência de Testosterona. Este guideline ou diretriz fornece orientação ao médico praticante sobre como diagnosticar, tratar e monitorar o homem adulto com deficiência de testosterona. O cuidado de pacientes com deficiência de testosterona deve se concentrar na avaliação precisa dos níveis de testosterona, sintomas e sinais, bem como no monitoramento adequado durante o tratamento para garantir que os níveis terapêuticos de testosterona sejam alcançados e que os sintomas sejam melhorados. Orientação também é dada sobre o manejo de pacientes com doença cardiovascular, homens que estão interessados em preservar sua fertilidade e homens que estão em risco ou têm câncer de próstata.

Dosagens de testosterona e prescrições quase triplicaram nos últimos anos; entretanto, fica claro pela prática clínica que há muitos homens usando testosterona sem uma indicação clara. Alguns estudos estimam que até 25% dos homens que recebem terapia com testosterona não têm testosterona testada antes do início do tratamento. Dos homens que são tratados com testosterona, quase metade não tem seus níveis de testosterona verificados após o início da terapia. Enquanto que até um terço dos homens que são colocados em terapia com testosterona não preenchem os critérios para serem diagnosticados como deficientes em testosterona. Há uma grande porcentagem de homens necessitados de terapia com testosterona que não a recebem devido a preocupações do médico, principalmente em relação ao desenvolvimento de câncer de próstata e eventos cardiovasculares, embora as evidências atuais não apóiem definitivamente essas preocupações. Dado o cenário clínico e comercial de testosterona, a American Urological Association (AUA) identificou a necessidade de produzir um documento baseado em evidências que informe os médicos sobre a avaliação e o manejo adequado dos pacientes com deficiência de testosterona. A AUA e o Painel de Testosterona comprometeram-se a criar uma Diretriz que assegure que os homens que necessitam de terapia com testosterona sejam tratados de forma eficaz e segura.

Metodologia
Esta revisão sistemática utilizou pesquisa do Centro de dados de Medicina Baseada em Evidência da Clínica Mayo e suplementação adicional pelos autores. Pesquisas de literatura incluíram Ovid Medline In-Process e outras citações não indexadas, Ovid MEDLINE, Ovid EMBASE, Ovid Cochrane Central Register de Ensaios Controlados, Ovid Cochrane Database de Revisões Sistemáticas e Scopus.  Esta pesquisa incluiu artigos publicados entre 1 de janeiro de 1980 e 6 de fevereiro de 2017 e rendeu 15.217 referências, sendo que 546 (inscrevendo aproximadamente 350.000 homens) foram utilizadas para apoiar as declarações das diretrizes. Quando existiam evidências suficientes, o corpo de evidências para um tratamento específico recebeu uma classificação de força de A (alta), B (moderada) ou C (baixa) para apoio a Recomendações Fortes, Moderadas ou Condicionais. Na ausência de evidências suficientes, informações adicionais são fornecidas como Princípios Clínicos e Opiniões de Especialistas.

DIRETRIZES:

Diagnóstico da Deficiência de Testosterona

1. Os médicos devem usar um nível de testosterona total abaixo de 300 ng / dl como um corte razoável para apoiar o diagnóstico de testosterona baixa. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

2. O diagnóstico de testosterona baixa deve ser feito somente após duas medições totais de testosterona tomadas em ocasiões separadas, com ambas realizadas de manhã cedo. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

3. O diagnóstico clínico de deficiência de testosterona só é feito quando os pacientes apresentam níveis baixos de testosterona total combinados com sintomas e / ou sinais (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

4. Os médicos devem considerar a dosagem de testosterona total em pacientes com história de anemia inexplicável, perda de densidade óssea, diabetes, exposição à quimioterapia, exposição à radiação testicular, HIV/AIDS, uso crônico de estupefacientes, infertilidade masculina, disfunção hipofisária e uso crônico de corticosteroides mesmo na ausência de sintomas ou sinais associados à deficiência de testosterona. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

5. O uso de questionários validados atualmente não é recomendado para definir quais pacientes são candidatos à terapia com testosterona ou para monitorar a resposta dos sintomas em pacientes em uso de testosterona. (Recomendação Condicional; Nível de Evidência: Grau C)

Teste Adjuntivo

6. Em pacientes com baixa testosterona, os médicos devem medir os níveis séricos de hormônio luteinizante. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

7. Os níveis séricos de prolactina devem ser medidos em pacientes com baixos níveis de testosterona combinados com níveis baixos ou baixos / normais de hormônio luteinizante. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

8. Pacientes com níveis persistentemente altos de prolactina de etiologia desconhecida devem ser submetidos à avaliação de distúrbios endócrinos. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

9. O estradiol sérico deve ser medido em pacientes com deficiência de testosterona que apresentem sintomas mamários ou ginecomastia antes do início da terapia com testosterona. (Opinião de um ‘expert)

10. Homens com deficiência de testosterona que estejam interessados em fertilidade devem fazer uma avaliação de saúde reprodutiva antes do tratamento. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

11. Antes de oferecer a terapia com testosterona, os médicos devem medir a hemoglobina e o hematócrito e informar os pacientes sobre o aumento do risco de policitemia. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

12. O PSA deve ser medido em homens com mais de 40 anos de idade antes do início da terapia com testosterona para excluir um diagnóstico de câncer de próstata. (Princípio Clínico)

Aconselhamento em relação ao tratamento da deficiência de testosterona

13. Os médicos devem informar os pacientes com deficiência de testosterona que a baixa testosterona é um fator de risco para doença cardiovascular. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau B)

14. Os pacientes devem ser informados de que a terapia com testosterona pode resultar em melhorias na função erétil, baixo desejo sexual, anemia, densidade mineral óssea, massa corporal magra e/ou sintomas depressivos. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

15. Os pacientes devem ser informados de que a evidência é inconclusiva se a terapia com testosterona melhora a função cognitiva, as medidas de diabetes, a energia, a fadiga, o perfil lipídico e as medidas de qualidade de vida. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

16. O impacto a longo prazo da testosterona exógena na espermatogênese deve ser discutido com pacientes interessados em fertilidade futura. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

17. Os médicos devem informar os pacientes sobre a ausência de evidências ligando a terapia com testosterona ao desenvolvimento do câncer de próstata. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau B)

18. Pacientes com deficiência de testosterona e história de câncer de próstata devem ser informados de que há evidências inadequadas para quantificar a relação risco-benefício da terapia com testosterona. (Opinião de um ‘expert)

19. Os pacientes devem ser informados de que não há evidências definitivas ligando a terapia com testosterona a uma incidência maior de eventos venotrombólicos. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau C)

20. Antes de iniciar o tratamento, os médicos devem aconselhar os pacientes que, neste momento, não pode ser estabelecido definitivamente se a terapia com testosterona aumenta ou diminui o risco de eventos cardiovasculares (por exemplo, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, morte cardiovascular, mortalidade por todas as causas ). (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

21. Todos os homens com deficiência de testosterona devem ser aconselhados sobre modificações no estilo de vida como estratégia de tratamento. (Recomendação Condicional; Nível de Evidência: Grau B)

Tratamento da Deficiência de Testosterona

22. Os médicos devem ajustar a dosagem da terapia com testosterona para atingir um nível total de testosterona no intervalo médio de referência normal. (Recomendação Condicional; Nível de Evidência: Grau C)

23. A terapia com testosterona exógena não deve ser prescrita a homens que estão atualmente tentando engravidar. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

24. A terapia com testosterona não deve ser iniciada por um período de três a seis meses em pacientes com histórico de eventos cardiovasculares. (Opinião de um ‘expert)

25. Os médicos não devem prescrever testosterona oral alquilada. (Recomendação Moderada; Nível de Evidência: Grau B)

26. Os médicos devem discutir o risco de transferência com pacientes usando géis/cremes de testosterona. (Recomendação Forte; Nível de Evidência: Grau A)

27. Os clínicos podem usar inibidores de aromatase, gonadotrofina coriônica humana, moduladores seletivos do receptor de estrogênio ou uma combinação dos mesmos em homens com deficiência de testosterona que desejam manter a fertilidade. (Recomendação Condicional; Nível de Evidência: Grau C)

28. Produtos de testosterona comercialmente fabricados devem ser prescritos em vez de testosterona composta, quando possível. (Recomendação Condicional; Nível de Evidência: Grau C)

Acompanhamento de homens em terapia de testosterona

29. Os médicos devem medir um nível inicial de testosterona total após um intervalo apropriado para garantir que os níveis de testosterona alvo foram atingidos. (Opinião de um ‘expert)

30. Os níveis de testosterona devem ser medidos a cada 6-12 meses durante a terapia com testosterona. (Opinião de um ‘expert)

31. Os médicos devem discutir a cessação da terapia com testosterona três a seis meses após o início do tratamento em pacientes que experimentam normalização dos níveis totais de testosterona, mas não conseguem alcançar melhora nos sintomas ou nos sinais. (Princípio Clínico)

 

FONTE BIBLIOGRÁFICA:

http://www.auanet.org/guidelines/evaluation-and-management-of-testosterone-deficiency?utm_medium=email&utm_campaign=MEM

Sobre o autor

Alessandro Rossol

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