Estenose de JUP

JUP: Junção Uretero-Pélvica

O diagnóstico da estenose de JUP é realizado funcionalmente pela impossibilidade de transporte da urina da pelve renal para o ureter. Mesmo sendo a maioria dos casos uma malformação congênita, os sintomas poderão aparecer num período tardio da vida do paciente. A obstrução congênita usualmente resulta de uma doença intrínseca.

O defeito frequentemente encontrado é a presença de um segmento do ureter sem peristalse (movimento peristáltico). Estudos mostram que até 40% dos casos de estenose de JUP ocorrem pela presença de vasos anômalos. São vasos aberrantes polares que cruzam e obstruem a região da junção entre a pelve renal e o ureter.

estenose Este esquema ilustrativo evidencia a presença de um vaso anômalo (veia) em pólo inferior do rim causando obstrução da JUP – Junção Uretero-Pélvica

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL – Algumas situações clínicas podem se apresentar com quadro semelhante à estenose de JUP. São elas: cálculos renais, processo inflamatório do rim, tumores do urotélio. Por este motivo há rigorosamente necessidade de avaliação da patologia urinária por médico urologista.

EXAMES DE IMAGEM são fundamentais para a localização do ponto de obstrução.

O ULTRASSOM é o exame inicial, de triagem, que usualmente evidencia dilatação das cavidades do rim (que é um dos sinais da estenose de JUP). Ele não demonstra com precisão a área de estenose.

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Ecografia demonstrando dilatação do sistema coletor renal.

A UROGRAFIA EXCRETORA é o exame de primeira escolha após a suspeita diagnóstica levantada na ecografia. Classicamente o exame demonstra o lado afetado com atraso na excreção associado à dilatação do sistema pielocalicial.

estenose Esta Urografia Excretora mostra dilatação do sistema coletor do lado direito. Repare o atraso na excreção do contraste deste lado. No lado esquerdo o contraste já foi completamente eliminado do rim.
Tomografia com Contraste mostra dilatação da pelve renal esquerda
estenose Tomografia computadorizada com reconstrução em 3 Dimensões mostrando a dilatação do sistema coletor do rim direito.

estenose de JUP recons

Na tomografia computadorizada com reconstrução em 3D acima é possivel visualizar o rim direito dilatado e a ausência de contraste no ureter do mesmo lado


A CINTILOGRAFIA RENAL com DTPA ou MAG3 é o exame de imagem que demonstra, funcionalmente, o retardo de excreção do rim acometido pela estenose. É um exame não invasivo, com injeção intravenosa de radionuclídeos, que deve ser realizado preferencialmente com o uso de diurético. Ele dimensiona, também, a função do rim.

O TRATAMENTO da estenose de JUP está indicado quando o paciente apresenta sintomas de obstrução, perda da função renal, desenvolvimento de cálculos renais, infecções urinárias de repetição ou, mais raramente, desenvolvimento de hipertensão de etiologia renal. Historicamente, o procedimento de escolha é a pieloplastia cirúrgica desmembrada. Menos freqüentemente, a abordagem endourológica pode ser realizada, mas com taxas de sucesso menores.

A pieloplastia videolaparoscópica tem ganhado ampla aceitação em centros especializados. É uma cirurgia minimamente invasiva, onde são colocados 3 a 4 portais (trocateres) de 5 e 10mm de diâmetro, por onde entram as pinças para a realização da cirurgia. Tem vantagens sobre a cirurgia aberta em alguns pontos: menor sangramento cirúrgico, menor tempo de hospitalização, retorno mais rápido do paciente às atividades usuais, menor dor no período perioperatório, menor taxa de hérnia incisional e melhor efeito estético da incisão.

 

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Posição dos trocateres na cirurgia de correção de estenose de JUP por videolaparoscopia.
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Este esquema ilustra as etapas da correção cirúrgica da estenose de JUP:
A – ponto de estreitamento da junção pielo-ureteral;
B – o desmembramento (secção e retirada do segmento estenosado) com início da sutura entre os cotos sadios;
C – o reparo terminado com a linha de sutura.
Este vídeo reproduz a correção de uma estenose de Junção do lado direito. A cirurgia foi realizada pelo Dr. Alessandro Rossol.
Cintilografia Renal com DTPA realizada 3 meses após a pieloplastia evidencia excreção simétrica dos dois rins.

Fonte Bibliográfica:

Campbell-Walsh: Tratado de Urologia, 9a. Edição.

Urologia Fundamental, 2010 – Sociedade Brasileira de Urologia.

Fotografias e Vídeos:

Arquivo pessoal do Dr. Alessandro Rossol

Campbell-Walsh: Tratado de Urologia, 9a. Edição.

 

 

 

Sobre o autor

Dr. Rossol

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