Ejaculação Precoce

O termo “ejaculação precoce” serve para definir a ejaculação que ocorre logo após a penetração, ou até mesmo antes dela, causando desconforto e/ou sofrimento ao paciente e/ou à parceira. Mais recentemente, em 2008, foi apresentado no British Journal of Urology, pela International Society for Sexual Medicine, um parâmetro de tempo mínimo: a ejaculação precoce é a que leva até um minuto ou pouco mais de um minuto, após a penetração, para acontecer.

Se, por um lado, o dado nos ajuda a objetivar o que antes tinha um sentido muito subjetivo, por outro, pode ser bastante discutível. Por essa definição, um sujeito que leva dois ou três minutos, por exemplo, para ejacular seria classificado como alguém que não necessita de tratamento. Porém sabemos que, para algumas pessoas, esse tempo pode ser insuficiente para o casal desfrutar plenamente de uma relação sexual prazerosa. Além disso, uma pesquisa divulgada recentemente, no 3rd International Consultation on Sexual Medicine, realizado em julho de 2009, em Paris, mostrou que metade dos homens que acreditava ter o problema não se encaixava nessa condição, que usa o tempo como uma medida do desempenho sexual. Então, para mim, a definição mais útil para aplicação em consultório não é a que utiliza o tempo. Porém, para estudos científicos em que este parâmetro tem maior importância, principalmente para comparar resultados de diversos tipos de tratamento, a medida continua sendo válida.

Acomete uma fatia da população masculina que varia de 25-35%, sendo mais freqüente na faixa dos vinte aos trinta anos. Esta situação leva a um importante impacto negativo sobre a qualidade de vida do casal, repercutindo inclusive no seu cotidiano. A etiologia tem sido, mais recentemente, relacionada a problemas de neurotransmissão (teoria neurobiológica).

As causas, de origem emocional ou psicológica, mais comuns são: baixa freqüência sexual, insegurança e ansiedade de desempenho, desconhecimento da sexualidade, relacionamento ruim com a parceira e comportamento condicionado à masturbação e coitos rápidos. Dentre as causas orgânicas sugeridas, encontram-se: lesão do sistema nervoso autônomo simpático devido a cirurgias retroperitoniais, fraturas pélvicas, prostatite, hipertireoidismo, diabete mellitus, polineurite, esclerose múltipla, lesões raquimedulares ou acidentes vasculares cerebrais.
A ejaculação precoce pode levar à depressão, desordens de personalidade, baixa auto-estima, prejuízo ao relacionamento conjugal e/ou interpessoal, diminuição da libido e, até, aversão ao sexo.

O aconselhamento psicológico e a terapia comportamental devem preceder o uso de medicamentos no manejo da ejaculação precoce. É necessário um profissional treinado em sexualidade para fazer esta orientação, bem como a presença e colaboração da parceria. As técnicas comportamentais trazem um importante benefício inicial e dependem da motivação do paciente/casal, porém, o índice de abandono é alto. No início do tratamento, o índice de sucesso atinge 60%, mas a longo prazo diminui para aproximadamente 25%. As técnicas mais comumente empregadas são Stop-Start e Squeeze. Mas é a associação da psicoterapia com a terapia medicamentosa que parece ser a alternativa ideal.

O emprego dos inibidores específicos da recaptação da serotonina (IERS) é baseado no retardo ejaculatório como efeito colateral ao seu uso para depressão. Baseado no efeito destas drogas pode-se afirmar que é necessária a presença contínua do medicamento na corrente circulatória, para obtenção do máximo efeito. As drogas parecem agir sobre a ejaculação também quando são utilizadas sob demanda (somente na atividade sexual), mas a taxa de sucesso é menor.

Os principais efeitos colaterais do IERS são: náusea, sensação de boca seca, tontura, cefaléia, fadiga, insônia e diminuição de libido. E são estes efeitos que levam à busca de uma alternativa terapêutica para uso sob demanda, com o intuito de reduzir os efeitos colaterais do uso diário destas drogas. Um novo inibidor do transporte da serotonina, ainda em estudo, chamado dapoxetina, tem rápida absorção e efeito e pode ser empregado 1 a 3h antes da atividade sexual. Os tratamentos medicamentosos parecem ser eficientes enquanto o paciente utiliza as drogas, mas é importante a psicoterapia conjunta. Esta associação então, de terapia comportamental com a medicamentosa, é a forma de tratamento mais eficaz para o manejo da EP. E é a terapia comportamental que oferece resolução do problema.

Sobre o autor

Dr. Rossol

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