Bexiga hiperativa

 

Bexiga hiperativa é um termo que corresponde a uma doença que apresenta um conjunto de sintomas relacionados à dificuldade de segurar a urina e ligados ao fato do músculo da bexiga se contrair sem que seja a vontade da pessoa ou o momento ideal.

Os problemas vão desde a dificuldade de mensurar a vontade de urinar até a um número elevado de vezes que se vai ao banheiro diariamente. É importante ressaltar que a perda de urina não é uma conseqüência normal do envelhecimento, como as pessoas costumam pensar. Existe tratamento e é preciso buscar apoio médico caso o problema ocorra. Apenas 10% daqueles que convivem com a bexiga hiperativa costumam consultar especialistas.

A bexiga hiperativa, além das questões físicas, também pode causar problemas psicológicos, emocionais e sociais. A doença atinge mais mulheres do que homens e afeta a qualidade de vida de, aproximadamente, 17 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Para o Brasil, ainda não existem dados precisos do alcance da doença.

Em muitos casos, não é claro o motivo pelo qual a bexiga hiperativa é causada, mas, sabe-se, em alguns casos, que há ligação com a perda do controle do córtex cerebral sobre a bexiga, devido a alterações nas estruturas dos nervos do órgão.

Sinais e Sintomas

Os sintomas da bexiga hiperativa podem ser confundidos com os de doenças como a infecção urinária, constipação intestinal, diabetes e hipotiroidismo. O alto consumo de líquidos e efeitos colaterais de determinados remédios também podem estar envolvidos. Nesses casos, porém, os problemas são temporários e costumam melhorar caso a origem seja corretamente tratada. Daí a importância de um especialista, que poderá fazer o diagnóstico adequado utilizando, além da análise dos sintomas, de:
– Anamnese completa – coletar do paciente o maior número de informações;
– Exames físicos;
– Exame neurológico;
– Diário miccional: registro de quanto foi ingerido de líquidos, número de vezes em que a pessoa urinou, volume urinado, intensidade da vontade, bem como possíveis episódios de perda de urina e dos fatores que levaram à situação;
– Estudo urodinâmico, se necessário, que é a análise da pressão e do fluxo da urina.

QUESTIONÁRIO PARA AVALIAÇÃO DE BEXIGA HIPERATIVA

Responda o quanto você tem sido incomodado(a) por cada uma das seguintes situações.

1. Urinar freqüentemente durante o dia?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

2. Uma vontade urgente e desconfortável de urinar?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

3. Uma vontade repentina e urgente de urinar, com pouco ou nenhum aviso prévio?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

4. Perdas acidentais de pequenas quantidades de urina?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

5. Urinar na cama durante a noite?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

6. Acordar durante a noite porque teve vontade de urinar?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

7. Uma vontade incontrolável e urgente de urinar?

0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

8. Perda de urina associada a forte vontade de urinar?
0. Nada.
1. Quase nada.
2. Um pouco.
3. O suficiente.
4. Muito.
5. Muitíssimo.

*** Se você é do sexo masculino, some dois pontos ao seu resultado.

*** Some o valor de suas repostas às perguntas acima.

*** Se o resultado for 8 ou mais de 8, você pode ter bexiga hiperativa.

Tratamento da bexiga hiperativa

Para o tratamento da bexiga hiperativa, talvez seja preciso restringir a quantidade de líquidos ingerida diariamente.O objetivo é diminuir o volume de urina, facilitando o trabalho da bexiga. Algumas substâncias presentes em nossa alimentação podem irritar a bexiga, facilitando a hiperatividade. Por isso, talvez seja importante eliminar da dieta a cafeína, os energéticos, as bebidas muito ácidas e os temperos fortes.

Os remédios usados no tratamento da bexiga hiperativa relaxam as contrações involuntárias da bexiga, melhorando a função do órgão. Em alguns casos, medicamentos antiespasmódicos podem ajudar no controle das contrações. Outras medidas, além do uso de medicamentos, podem ser utilizadas para lidar com o problema:
• Treinamento vesical: tentativa de que a pessoa volte a ter controle sobre a vontade de urinar. É um método que, a curto prazo, costuma ter uma taxa de sucesso de 80%;
• Eletroestimulação;
• Toxina botulínica: diminui as contrações do músculo da bexiga;
• Marcapasso vesical (neuromodulação).

Treinamento da bexiga para controle da urgeincontinência

O controle da bexiga hiperativa geralmente começa com um programa de “treinamento da bexiga”. Em alguns casos, pode ser necessário adotar também sessões de estimulação elétrica, exercícios e terapia para auxiliar no controle do impulso de urinar. Treinar a bexiga significa criar um padrão de funcionamento para o órgão. Progressivamente, o paciente aprende a urinar em horários predeterminados, até chegar ao intervalo ideal, de três a quatro horas.

Para melhorar os resultados, uma boa opção é incluir no treinamento exercícios para o assoalho pélvico (exercícios de Kegel), que melhoram o tônus dos músculos responsáveis pela sustentação da bexiga e pelos movimentos da uretra. Nesse caso, pode ser necessário recorrer à estimulação elétrica, pois nem sempre o paciente consegue acessar os músculos corretos.

 

Como prevenir a bexiga hiperativa

Não existem fatores de prevenção cientificamente comprovados para a bexiga hiperativa, mas, de maneira geral, manter a saúde em dia, bem como estar com o peso dentro do normal, são questões que ajudam a conter doenças que possam desencadear o problema. Alguns outros cuidados também podem ser positivos:
• Evitar o consumo de álcool;
• Reduzir ingestão de chás e café, inclusive os descafeinados;
• Não exagerar no consumo de iogurtes, frutas e sucos cítricos, tomate e produtos derivados, adoçantes artificiais, chocolates, comidas apimentadas e vinagre, bem como carnes e peixes processados;
• Parar com o tabagismo;
• Evitar atividades que exerçam pressão sobre os músculos pélvicos;
• Não atrasar a ida ao banheiro;
• Esvaziar a bexiga por completo, mas sem forçar. No caso das mulheres, ao terminar de urinar, devem se levantar por um ou dois minutos, depois sentar e urinar novamente.

Referência Bibliográfica:

Disfunção Miccional, Escola Paulista de Medicina (Unifesp)
http://www.disfuncaomiccional.med.br
Uroginecologia e cirurgia vaginal (Escola Paulista de Medicina)
http://uroginecologia.com.br
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Scielo)
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-72032006000100010
Hospital Sírio Libanês
http://www.hospitalsiriolibanes.org.br
National Kidney and Urologic Diseases Information Clearinghouse (NKUDIC), EUA
http://kidney.niddk.nih.goz

 

Sobre o autor

Dr. Rossol

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